120 pontes foram entregues em 2010

Depois de assinar o contrato em maio de 2009, o consórcio KTU passou alguns meses reunindo suas equipes e realizando os estudos de projeto com as empresas projetistas, no sentido de padronizar um certo número de vigas pré-moldadas de concreto, a ser produzidas em série e estocadas para entrega quando necessário nos canteiros de obras. As vigas pré-moldadas foram projetadas com incremento de 1,66 m (5 pés na medida original), para fechar vãos de 10 m a 43 m. Quatro pontes então foram erguidas para validar as sequências construtivas. Cinco plantas de pré-moldados foram mobilizadas.

 

O Estado foi dividido em cinco regiões, com cerca de 100 pontes cada. Com isso, as obras de pontes foram ganhando velocidade. Em outubro de 2010, 44 pontes estavam em execução, com mais 12 programadas para começar, para fechar a temporada de construção antes do inverno rigoroso no final do ano.

 

Em 2011, com a experiência ganha no ano anterior e um estoque completo de vigas pré-moldadas guardadas para pronta entrega, 300 pontes foram concluídas. A média alcançada foi de uma nova ponte a cada dois dias. O consórcio KTU construiu 20 km de pontes e 135 mil m lineares de vigas.

 

A tecnologia das vigas híbridas

Além de utilizar elementos pré-moldados para reduzir o prazo de construção nesse programa, o MoDOT também recebeu recursos doados da agência federal Federal Highway Administration (FHWA) para empregar vigas de concreto híbrido, reforçado com material compósito, para atestar em campo suas características de maior durabilidade, leveza e rapidez de execução.

 

A viga de concreto híbrido (VCH) é uma tecnologia estrutural que explora as qualidades do material composto de concreto, aço e de um polímero reforçado com fibra, combinando a resistência e rigidez dos dois primeiros com a leveza e capacidade anticorrosão dos materiais compósitos. Como essas vigas VCH são 90% mais leves que o concreto protendido clássico, elas podem ser transportadas em até oito unidades por caminhão até o local da obra, e requerem apenas guindastes leves para sua montagem.

 

Uma vez posicionadas no vão da ponte, um concreto autoadensável é bombeado para dentro da VCH — que tem seção típica retangular em formato de calha - onde ocorre a cura enquanto seu peso é suportado pela viga de compósito. Uma vez curado, o concreto atua como a parte em compressão da viga que se equilibra com a armadura de aço. Esse enchimento de concreto in loco pode ser feito em fábrica, bem como as lajes do deck podem ser pré-moldadas, tornando o conjunto todo pré-fabricado. Usando uma ou outra abordagem, uma ponte pode ser completada num único dia, reduzindo a interrupção na rodovia.

 

O MoDOT preferiu construir três pontes diferentes em VCH, para atestar o comportamento do processo todo em situações diferentes. A primeiro ponte foi a B0439, na rodovia MO76, que atravessa o rio Beaver Creek, perto de Jackson Mill. Possui três vãos de 20 m para uma extensão total de 60 m. As vigas aqui possuem seção retangular com um peso vazio (sem concreto de enchimento) de 2.040 kg, possibilitando transportar oito vigas num caminhão. Se forem colocadas cinco linhas de vigas, há ao todo 15 VCH, de modo que a estrutura da ponte inteira pode ser embarcada em dois caminhões.

 

A empreiteira contratada preferiu preencher de concreto as VCH num pátio próximo; mesmo concretadas, as vigas ainda pesavam apenas um terço de uma viga tradicional pré-moldada, permitindo que um guindaste leve que estava alocado para cravação de estacas de fundação fosse aproveitado também na montagem da superestrutura da ponte. Cada caminhão levou duas vigas VCH concretadas por viagem, do pátio ate o local da ponte. Para agilizar ainda mais o processo, foram adotadas peças pré-moldadas para o tabuleiro. A ponte foi aberta ao tráfego em novembro de 2011.

 

A ponte B0410, na rodovia MO97, atravessa o rio Sons Creek e foi programada para ser executada no verão de 2012. Seu único vão tem 35,34 m, que suporta uma estrada de 9,34 m de largura — de modo que foi empregada a maior VCH já fabricada. Sua seção é composta de três caixões de alma dupla, em compósito, com 1,5 m de altura, pesando apenas 9 t cada. Após concretadas, cada uma pesava 30 t. Isso ainda equivale à metade do peso de um caixão de concreto clássico.

 

Também nesse caso foram empregadas placas pré-moldadas no tabuleiro e as VCH foram concretadas em pátio. Merece registro que as cordoalhas de protensão na VCH são tipicamente passivas. Como resultado, os valores de câmber exigidos para as cargas mortas em cada estágio de execução foram incorporados no molde usado na sua fabricação. Isso considerou o peso próprio da viga, o peso do concreto, as placas pré-moldadas do tabuleiro, bem como parapeitos ou revestimento de desgaste no pavimento. O valor total do câmber é função das cargas, a extensão do vão e a relação entre a medida do vão e a altura da viga.

 

 

A ponte B0478 também foi executada na mesma época, localizada na rodovia MO49, sobre o rio Ottery Creek. Aqui, no lugar das placas pré-moldadas do tabuleiro, foi empregada uma seção transversal com 6 VCH dotadas de franje em balanço, fabricadas de material compósito.

 

Como a ponte B0439 anterior, esta ponte de dois vãos e estrutura se tornaram contínuas para cargas vivas com a armadura de momento negativo no tabuleiro sobre os pilares, bem como diafragmas concretadas in loco. Outros detalhes dessas pontes construídas com VCH, tais como drenagem e placas, são idênticas às estruturas tradicionais de viga caixão em concreto.

 

Além das três pontes que fazem parte do programa em Missouri e outras cinco estruturas similares abertas ao tráfego, há projetos utilizando VCH em curso nos Estados Unidos, nos estados de Virginia, West Virginia, Utah, Maryland e Pensilvânia, além do US Army Corps of Engineers.



Terça-Feira, 29 de Janeiro de 2015
Fonte: Padrão


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