Vila dos Atletas utiliza técnicas construtivas que garantem velocidade de execução

Primeiro complexo a ser ocupado pelas delegações dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, área residencial tem dia e hora para ser entregue ao Comitê Olímpico Brasileiro

No dia 5 de agosto do ano que vem, serão abertos oficialmente os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. E, 12 dias antes, as primeiras delegações de 205 países já poderão acomodar-se na Vila Olímpica e Paralímpica, que está sendo erguida na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio.

Batizado de Ilha Pura, o complexo residencial de sete condomínios, com 31 edifícios de 17 andares e 3.604 apartamentos e um parque de 72 mil m², está sendo construído pelo consórcio formado pela Carvalho Hosken e Odebrecht Realizações Imobiliárias. Todos os apartamentos serão vendidos e o espaço será incorporado à cidade praticamente como um novo bairro. Depois dos jogos, os condomínios de alto padrão de acabamento, com 11 tipos de plantas diferentes e com vista privilegiada, serão entregues aos seus proprietários.

“Tudo está praticamente dentro do cronograma”, garante o diretor geral do Ilha Pura, Maurício Cruz Lopes. Ele relatou a trajetória do empreendimento aos participantes do III Workshop “As Práticas de Sucesso na Gestão Profissional de Obras e Projetos”, realizado no final de maio, em São Paulo, e organizado pela revista O Empreiteiro.

No dia 1º de março de 2016, o Comitê Olímpico toma posse da Vila Olímpica e, no dia 24 de julho, os primeiros atletas começam a chegar. “Esse é um daqueles projetos que o prazo tem que ser cumprido”, afirma o diretor geral do Ilha Pura. A escala gigantesca do empreendimento e o prazo de execução, de acordo com Lopes, têm exigido muito planejamento e versatilidade na execução.

De todas as obras da Olimpíada do Rio, o alojamento será a primeira instalação a ser entregue aos atletas que, durante 17 dias, disputarão 306 medalhas, na primeira Olimpíada a ser realizada na América do Sul, em 120 anos de história dos Jogos Olímpicos da era moderna. Segundo Lopes, o avanço físico da obra está na média de 70%, sendo que o condomínio 2 já está praticamente concluído. Ele assegura que a conclusão e entrega das obras será em fevereiro.

 

Largada

Lopes conta que a primeira ideia era industrializar tudo e centralizar toda a obra, iniciada em 2012, quando começaram as primeiras fundações. Mas, como a exigência do prazo de entrega era crítica, o consórcio optou por dividir a obra em sete empreendimentos. “Com isso, refizemos o planejamento com um plano B que virou plano A”, explica. Cada condomínio, então, passou a ser uma edificação independente.

“Para cada uma dessas obras foi formada uma equipe completa”, relata Lopes. Segundo ele, desde um gerente de obras, passando por um gerente de produção de engenharia, um gerente comercial, um administrativo-financeiro, um responsável por segurança do trabalho, entre outros colaboradores, funcionando como forças independentes. “A ideia era dar agilidade para que esses gerentes pudessem contratar o projeto, todos os serviços, os materiais e executar a obra individual dentro do prazo”, frisa.

Mesmo sendo independentes, Lopes afirma que as obras dos edifícios, que variam entre 400 e 680 apartamentos, representaram complexas tarefas para as suas respectivas equipes. “Sobretudo, quando se considera o prazo para a sua execução, diante ainda da escassez de mão de obra que existia no momento em que as obras começaram”, lembra.

Por conta de toda a movimentação do mercado de trabalho, em 2012, tendo em vista as obras da Copa do Mundo, Lopes diz que havia muita dificuldade de contratação de pessoal. Questão ao final equacionada, no pico das obras, foram mais de sete mil funcionários no canteiro do Ilha Pura. “Desses, quase 80% de mão de obra própria”, destaca.

 

Recorde

A maior parte das 6.800 estacas utilizadas nas fundações foi do tipo hélice contínua. “Apenas um condomínio usou estacas metálicas”, lembra Lopes. No ano passado, todas as estruturas de concreto foram concluídas, e consumiram mais 400 mil m³ de concreto produzido por usina instalada no local.

O volume de cimento atingiu 170 mil t. Além disso, o Ilha Pura vai consumir 356 mil unidades de interruptores e disjuntores, 260 mil m² de material de fachadas, 120 mil m² de vidros, 40 mil louças sanitárias, 360 mil m de tubulações, 7,5 mil km de fios e cabos, 159 elevadores, entre outros itens. “Esse é um volume fora do comum para um empreendimento imobiliário residencial dentro da cidade do Rio de Janeiro”, ressalta Lopes.

Para dar conta dessa demanda, foram montadas no empreendimento duas centrais de concreto, que funcionaram em paralelo. Seis silos de cimento (600 t), estoque de brita e areia, reservatórios de água e uma recicladora de concreto possibilitaram a verticalização da produção.

Um extenso planejamento logístico foi implementado para atender às necessidades de abastecimento da obra. “Cerca de 300 carretas abastecem diariamente de insumos o Ilha Pura”, afirma o diretor. Ele conta que foi preciso ajustar os recebimentos para horários alternativos ao de pico. “Tudo isso para evitar impacto no trânsito da região, numa cidade que já sofre bastante com as diversas obras que estão em andamento por conta da Olimpíada.”

 

Velocidade

Se a corrida é contra o tempo, e pode ser com obstáculos, o diretor do Ilha Pura diz que o consórcio foi buscar tecnologias construtivas que garantissem velocidade recorde na execução. “Usamos mesas voadoras em alguns condomínios e isso ajudou muito no ciclo de concretagem dessas lajes”, diz. Entretanto, essa tecnologia não foi utilizada em todos os edifícios.

“Tivemos de compatibilizar projetos e engajar projetistas que têm experiências no uso de algumas tecnologias”, afirma Lopes. Ele ressalta que foi preciso adequar a oferta de materiais e de fornecedores e subempreiteiros para a execução dos serviços. “Fomos adaptando cada condomínio à disponibilidade que havia no mercado de projetistas, de materiais e de mão de obra qualificada.”

Para a parte de alvenaria, Lopes diz que contrataram uma empresa especializada no ciclo completo para execução de paredes. “A empresa faz os projetos das paredes, a fabricação e o transporte dos blocos até os pavimentos, executa as paredes e descarta os resíduos gerados”, explica. Segundo ele, houve muita produtividade com essa técnica, que ajudou bastante no cumprimento dos prazos. No revestimento de parede sobre a alvenaria de bloco, Lopes conta que optou por revestimento de gesso.

 

Reta final

Neste ano, a obra avança nas etapas de acabamento dos apartamentos e das áreas comuns e de lazer. Iniciadas no ano passado, as obras do parque também ficam prontas até o final deste ano. Projetado pelo escritório Burle Marx, o parque que está sendo construído na Vila dos Atletas terá 4,5 km de ciclovia e 8 mil m² de espelho d’água.

Logo após os jogos, os edifícios residenciais passarão por uma etapa de retrofit, avisa o diretor do Ilha Pura. Ele explica, no entanto, que esse processo será necessário, basicamente, em apenas 800 das 3.604 unidades. “Serão os apartamentos utilizados por atletas paralímpicos”, explica o executivo. Segundo ele, serão necessários ajustes, principalmente em banheiros adaptados para os atletas da Paralimpíada do Rio.

 





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