VLT Carioca precisa compatibilizar obra com tráfego do centro

Operação está prevista para começar no início
de 2016, a tempo de atender aos Jogos Olímpicos

Além das obras na zona portuária e da demolição do elevado da Perimetral, mais uma intervenção se destaca no centro do Rio de Janeiro. Trata-se da construção da primeira linha do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), ligando a Rodoviária Novo Rio ao Aeroporto Santos Dumont, que deverá ficar pronta até o final do ano e entrar em operação no início de 2016. Há 650 trabalhadores envolvidos nos trabalhos.

As execuções se concentram atualmente na zona portuária e na Avenida Rio Branco, principal via que cruza a região central da cidade. Dessa avenida duas e, dependendo do trecho, três das cinco faixas estão interditadas desde novembro e uma grande operação de mudança de trânsito de linhas de ônibus foi feita.

O engenheiro civil Luiz Eduardo Oliveira da Silva, diretor de operações da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp), explica que as obras civis estão sendo realizadas à noite para facilitar o tráfego de betoneiras e os serviços de concretagem da calha do VLT.

De dia se procedem trabalhos de escavações, remanejamento de interferências e serviços de arqueologia (já que a obra se realiza em solo onde o Rio prosperou há 200 anos).

“Não tem como fechar a avenida. O planejamento tem sido vital para condução das obras. É preciso manter a cidade funcionando”, diz. O problema não é só o trânsito, é também manter o comércio e os serviços das áreas atingidas operando.

Luiz Eduardo dá um exemplo. O Banco Central tem movimentação grande de carro-forte e por uma questão de segurança exige intervenção de rua na passagem dos veículos em uma quadra da Avenida Rio Branco (a instituição tem sede na via). “Não se pode atrapalhar esse acesso durante o dia”, ressalta.

Carlos Baldi, presidente da concessionária do VLT Carioca, também ressalta o desafio de trabalhar no centro da cidade: “É uma região altamente urbanizada e com um grande número de interferências, sem esquecer dos vestígios arqueológicos que, a todo momento e sem nenhuma previsibilidade, são identificados e precisam, obrigatoriamente, de tratamento apropriado”. 

Embora o VLT visa a atender toda a região central do Rio e não apenas a zona portuária (dentro do âmbito do projeto Porto Maravilha), a Cdurp foi designada pela prefeitura para gerir e articular ações com agentes públicos e privados no desenvolvimento do modal de transporte. “O VLT é um projeto simbólico no Porto Maravilha, embora ele transcenda a área, por conta da sua integração”, explica Luiz Eduardo. Há muitas interferências pelo caminho do VLT Carioca, incluindo tubulações de água, esgoto e gás, cabos de dados e telefone, além de caixas de drenagem. E é a Cdurp que contata as concessionárias e proprietários das utilidades para promover o remanejamento.

 

Custos e consórcio

A implantação do VLT Carioca tem custo orçado em R$ 1,2 bilhão, sendo parte proveniente de recursos federais do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Mobilidade, e pouco mais de R$ 600 milhões viabilizados por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP) feita com o consórcio vencedor da licitação, responsável por construir, operar e realizar manutenção do sistema durante 25 anos. 

O consórcio é formado pela CCR (24,4375%), Invepar (24,4375%), Odebrecht Transportes (24,4375%), Riopar Participações, sócia do Grupo CCR na CCR Barcas (24,4375%), Benito Roggio Transporte (2%) e RATP do Brasil Operações (0,25%).

Obras na calha

Atualmente, os trabalhos do VLT Carioca se concentram na construção da calha para posterior colocação dos trilhos. No trecho da zona portuária, onde se desenvolve o projeto Porto Maravilha, a reestruturação urbana já promovida deixou parte do caminho do VLT pronto. Assim, é na Praça Mauá, Avenida Rio Branco e Cinelândia onde se realizam as intervenções que mais exigem mobilização do consórcio responsável pela obra - segundo a empresa, existem quatro frentes de trabalho na região portuária e duas na Avenida Rio Branco. 

Depois da remoção do asfalto da via com fresadora para abertura da calha nos dois sentidos, processa-se a escavação, remanejamento de interferências, serviços de arqueologia, preparação da base e, em seguida, concretagem in loco. O engenheiro explica que o solo na região combina rocha e areia, com várias áreas de aterro.

Em paralelo, multidutos pré-fabricados estão sendo instalados na calha. Neles, passarão os sistemas elétricos e de dados do modal. Depois do assentamento dos trilhos e, posteriormente, da montagem dos sistemas - a integração será feita pela Alstom, que fornecerá também os trens. A calha (depois de pronta) ficará ao nível da via existente”, ressalta.

O Centro Integrado de Operação e Manutenção (CIOM) do VLT está sendo erguido na Gamboa, sub-bairro da zona portuária - atualmente, processam-se serviços de terraplenagem. No local também ficará a administração do sistema.

Pontos de parada e estações de interligação com outros modais estão no contrato da obra e ainda deverão ser construídos - a previsão do consórcio é erguê-los no segundo semestre. De acordo com a Cdurp, não está prevista desapropriação para passagem do VLT.

6 linhas e 38 paradas

 Quando totalmente concluído, o VLT Carioca terá seis linhas, 38 paradas e quatro estações, representando 28 km de extensão. O sistema poderá transportar até 285 mil passageiros/dia.

O projeto privilegia a ligação intermodal, conectando o sistema com a Rodoviária Novo Rio, Central do Brasil (trens e metrô), Barcas e o Aeroporto Santos Dumont, além dos BRTs, linhas de ônibus convencionais e o Teleférico do Morro da Providência.

Cada carro do VLT Carioca - com 3,82 m de altura, 44 m de comprimento e 2,65 m de largura e sete módulos articulados - trafegará com velocidade média de 17 km/h e terá capacidade para até 420 passageiros.

O sistema não prevê uso das catenárias ou cabos aéreos para operação. O fornecimento de energia se dará com alimentação pelo solo (sistema APS).

“Será o primeiro VLT implantado no Brasil sem catenárias e esse pioneirismo também é um desafio e uma responsabilidade para o consórcio”, destaca Carlos Baldi, presidente da concessionária do VLT Carioca.

 

Consórcio Rio Barra constrói dois mergulhões

O Consórcio Construtor Rio Barra (CCRB), responsável pelas obras da Linha 4 do Metrô do Rio de Janeiro, executa duas passagens subterrâneas (mergulhões) de retorno de veículos sob a avenida Armando Lombardi, no bairro da Barra da Tijuca, na Zona Oeste da cidade. Cada mergulhão terá uma faixa de rolamento, com 416 m de comprimento e 9 m de largura.

A obra exigirá a movimentação de 12.500 m³ de terra para a escavação das passagens. A construção consumirá 4.100 m³ de concreto, 600 m³ de asfalto e cerca de 1,2 mil t de aço. Atualmente, ocorre a instalação do sistema de contenção do terreno para escavação dos mergulhões, que consiste na cravação de estruturas metálicas a aproximadamente 15 m de profundidade. A construção mobiliza 110 trabalhadores.

De acordo com o CCRB, as duas passagens estão sendo construídas de forma coordenada com os túneis da Estação Jardim Oceânico da Linha 4 do Metrô e estarão disponíveis para a população em meados do ano que vem. Os mergulhões são uma solução nova para o viário do entorno da estação. A obra atende a uma antiga demanda da população local para melhorar a fluidez do trânsito de automóveis naquela região da cidade. O projeto é uma parceria entre o governo do Rio, o CCRB e a CET-Rio.





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